Já faz alguns dias que estou com a página aberta pensando onde devo começar a falar do meu ano como uma leve retrospectiva. Ninguém pediu isso, eu sei, mas me dói o coração ver que nos últimos anos não fiz isso e provavelmente vou esquecer muita coisa porque não coloquei nada no papel ou em algum lugar. Ao mesmo tempo fico pensando até onde quero relembrar grande parte dele, mas sei que é necessário. É bem aquela história de olhar para trás e sorrir.

Esse ano foi um grande aprendizado. Como falei na newsletter entre todos os últimos anos, e desde que moro em São Paulo, nunca cresci tanto. Sabe aquele momento que você está vivendo/processando e sabe que não vai esquecer por um bom tempo porque te fez crescer muito? Diversos desses momentos aconteceram em 2017. Foi um ano que aprendi a valorizar ainda mais as minhas amizades, a ser honesta comigo mesma e ver que não estava conseguindo ser a amiga que queria pra todos as pessoas que amo, talvez seja o grande problema em amar muitas pessoas e considerar cada uma delas de uma forma especial no meu coração. O amor também tomou conta de mim nesse ano, e junto com ele veio a dor, mas graças a ambos aprendi muito e foi aí o principal motivo do meu amadurecimento. Logo eu que me orgulhava de ser uma boa namorada e uma pessoa ótima para se envolver, percebi que apesar de ser dedicada quando quero, na hora da prática algumas coisas básicas a gente esquece por comodidade ou a simples ingenuidade de que o amor está acima de tudo. Reaprendi da pior forma que ele não está. Nunca estará.

Foi um ano que senti na pele o que é sofrimento. Anos se passaram sem sofrer tanto por alguém como esse ano, e acho que de certa forma, foi o período mais doloroso de superação que já tive porque por muitos meses eu simplesmente não queria superar. Ouvir o que minhas amigas falavam da forma como me portava, agia ou pensava nos meses sombrios (como carinhosamente chamo entre abril – agosto) é um lembrete de nunca mais me submeter a amar alguém mais do que amo a mim mesma. Mas foi graças a tudo isso que questionei quem era e o que eu gostaria de ser. Repensei na minha vida como um todo, nas minhas prioridades, nos meus erros, nas pessoas a minha volta, em mim, no meu futuro e fui honesta comigo mesma, de uma forma que não tinha sido em anos, para saber o que realmente queria e o que precisava fazer para alcançar. Não foi fácil e, novamente, doloroso, mas valeu muito a pena.

Entre toda essa montanha russa ainda tive tempo para viajar: conheci a Colômbia, Cartagena e San Andrés. Retornei ao Rio de Janeiro e conheci essa cidade linda com um slow travel turístico que me marcou muito, visitei Belo Horizonte pela primeira vez e pude vir para Manaus duas vezes, o que considero sempre uma sorte. Foi um ano de várias coisas novas, inclusive lugares, e eu não mudaria nada. Conheci muita gente que me fez bem, algumas que ainda fazem e que se tornaram muito essenciais na minha vida, outras vi que acabei não sendo tão presente e pretendo fazer o melhor que posso no ano que vem. Decidi entrar em um caminho sem volta da transição capilar, que agora já faz quase onze meses desde o último alisamento, e tem sido um grande teste de paciência, com dias bons e muitos ruins. Aprendi a me amar, me sentir suficiente comigo mesma por dentro e por fora já que ambos estiveram em mudanças constantes quase que sem parar durante todo ano.

Olhando como um todo dois mil e dezessete até que me fez bem. Hoje estou feliz, renovada, e me sentindo orgulhosa de mim — apesar dos meus mil defeitos que hoje reconheço e tento melhorar — e um pouco realizada. Ano que vem é o ano de colheita, né? Mal posso esperar pelos resultados e mal posso esperar para vivenciá-lo. Que seja lindo e que a gente aguente o tranco de dois mil e dezoito com a força que esse ano nos deu. 🙂

GIF: Tumblr

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