Ano passado, conheci uma menina e nessa parte de conhecer alguém nós sempre acabamos falando de relacionamentos passados. Essas coisas não tem etiqueta, mas essa conversa sempre acontece. Você se pega falando das últimas pessoas que se envolveu ou quem marcou muito na sua vida já que isso está diretamente ligado a como você vê relacionamentos. Lembro que ela me disse que “chegou um ponto em que a gente ficava oficialmente juntas, como namoradas, ou a gente se separava, e foi quando percebi que se fosse a primeira opção isso já teria acontecido”. Eu nunca tinha pensado por esse lado, mas eu vi que foi exatamente como lidei com várias pessoas que me envolvi, mas não me apaixonei. Amor a gente constrói com o tempo, mas e a paixão? Cada pessoa lida de uma forma, mas percebi que para mim ela sempre veio de um jeito só.

É uma energia entre você e alguém mesmo centímetros de distância parecendo que existe uma linha invisível que só vocês sentem, mas até os outros percebem, se prestarem atenção. É o medo e a insegurança aparecendo na hora que você assume que “nossa, fodeu” porque não lembrava como era se sentir assim, e o que isso pode trazer, até ver que não tem como fugir disso. É sentir da pontinha do pé ao último fio de cabelo uma euforia quando percebe que está chegando a hora de ver aquela pessoa, ou somente quando pensa nela. É querer contar tudo, tudo mesmo, pra alguém e que ela te conheça como ninguém, apresentando todos os seus filmes/séries/livros preferidos, descobrindo novamente tuas coisas preferidas com uma nova visão e com a pessoa que você mais quer estar do lado. É descobrir coisas novas seja sozinha, para compartilhar, pela pessoa ou juntas. É pedir pra que o tempo pare porque as horas passam rápido demais e nunca parece o suficiente para tudo que vocês queiram fazer. São planos, por mais irreais que possam ser, juntos em uma noite de risadas e intimidade. São madrugadas viradas somente conversando, ou não, mas que poderiam se arrastar pro dias já que pareceram somente alguns minutos. É sentir uma saudade de quem viu cinco minutos atrás e contar os minutos para se ver de novo. É se pegar sorrindo sem nem perceber. É abrir os olhos, ver a pessoa dormindo serena pertinho de ti, sorrir e pegar no sono novamente porque por um minuto tudo a sua volta está bem. É sentir medo também, de perder, de se magoar e de magoar o outro, mas também é ter coragem de viver isso. É sentir algo que você não sentia a tanto tempo que nem sabia que esse seu lado ainda estava vivo. É viver.

Não tem nada mais bonito do que se apaixonar. Não tem nada mais bonito do que sentir e se permitir. Viver é tão difícil, mas quando existe um motivo, além da gente, para ter uma vida mais leve ou que faz a tua vida ter um pouco mais de sentido parece que tudo que aconteceu antes foi para chegar nesse momento.

Imagem: Lukasz Wierzbowski

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