Desde que eu me entendo por gente, todo final de ano eu participo de pelo menos um amigo secreto. Geralmente isso acontecia na escola e hoje em dia, no trabalho. E eu odeio. Não me entendam mal, sempre que dão a ideia de amigo secreto eu aceito na hora achando que vai ser diferente, mas eu sempre tenho péssimas experiências.

Quando eu era mais nova, na terceira ou quarta série, toda sala participou de um amigo secreto que você tinha uma quantia x pra presentear o seu amiguinho escolhido. Éramos todos crianças então não tinha muita exigência. Lembro que peguei um menino que eu não falava muito, e pelo que eu conhecia do jeito dele, falei pra minha mãe e tentamos comprar um presente bem legal. Também lembro que foi difícil, mas no final de tudo, ele pareceu gostar. Nessa época, eu ainda ficava ansiosa para presentes. O menino que me presenteou era um garotinho que eu falava ocasionalmente e sentava perto de mim (acho que mais intimidade que isso na quarta série não existe), ansiosa pra receber meu presente que podia ser até um conjunto de canetinhas coloridas ou folhas legais de fichário, sei lá, o menino me aparece com um papai noel do meu tamanho. Sério, o papai noel era do meu tamanho, ele era feio e ainda de uma loja super vagabunda que tinha aqui. Ele disse que não sabia o que comprar e eu fiquei arrasada, triste e com ódio enquanto carregava o troço do meu tamanho pra fora da escola após a aula. Aliás, esse papai noel foi usado até uns anos atrás aqui em casa (e eu sempre o achava a parte mais creepy de todo Natal)

Anos depois, já na sexta ou sétima série, participei de um amigo oculto dos amigos da sala, naquela época era super normal pedir CD. Fui toda bonitinha na loja, anotei uns cinco títulos e deixei na minha listinha. Sabia que todos os que eu queria tinham na loja então não tinha como eu ganhar algum que eu não gostasse (como o da história acima). No dia do sorteio, uma das meninas não foi. Fomos revelar o amigo secreto, entreguei o da pessoa que tinha tirado, esperei todos entregarem/receberem seus presentes pra, no final, descobrir que eu era a pessoa que ficaria sem presente. No outro dia, a menina pediu desculpas e falou que ia trazer o presente, depois disse que o irmão dela não tinha achado o CD, depois começou a me evitar. Eu fiquei super triste. Sabendo disso, a minha mãe me fez ir lá na casa da menina pedir o meu presente porque ela não achava justo eu ter comprado um e recebido nenhum. Tive que bater palma, e exigir da menina o meu presente. Meu deus, como eu fiquei com vergonha disso. A cara de pau da menina era tanta que ela entrou e pegou um cd embrulhado, ou seja, ela tinha comprado, mas não queria me dar. Ignorei tudo isso e fiquei super feliz de ter um dos cds que eu queria finalmente ouvir. Cheguei em casa e desembrulhei o papel, ansiosa pra passar a tarde ouvindo música e acompanhando com o encarte (sdds disso), pra depois abrir o presente e ver que eu já tinha esse cd, que por sinal, não estava na lista. Fiquei arrasada e me sentindo lesada.

Ano passado no trabalho, todo mundo fez uma lista do que queria, e como eu não sabia o que pedir falei algum tipo de acessório que eu queria. Pediram pra especificar mais e eu entrei no site de uma loja, coloquei o nome e referência dos produtos que eu tinha gostado. A pessoa que me tirou ficou com preguiça de procurar quais eram, pegou qualquer coisa que achou a ‘minha cara’ e me deu. Nunca vi algo tão feio e tive que repassar pra quem quisesse.

Daí esse ano mudou tudo quando eu resolvi adaptar pra um opção básica: livros. Geralmente eu colocava em outras listas, mas sempre junto de outras coisas e acabavam me dando algo aleatório em vez dessa opção. Nessa vez, escolhi uns sete títulos e rezei pra que comprassem um deles (ah, fui na livraria ver se tinham todos antes) e.. eu ganhei dois! Não um, mas dois livros lindos que pedi! Depois de anos, anos e anos de experiências ruins de amigo oculto, finalmente as coisas mudaram.

 Presentes de amigo secreto desse ano: Bling Ring da Nancy Jo Sales e Tudo Sobe Arte 🙂

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