Ensaiei fazer alguns posts nos últimos meses, mas principalmente em Dezembro, para falar como foi o ano para mim, mas acabei desistindo porque sempre acontecia outra coisa que não podia ficar de fora e mudava meu humor completamente.

Comecei o ano passado perdida, sem saber para onde ir, mas com determinação. Demorou alguns meses até a motivação aparecer ao ponto de ir mudando toda minha rotina. Vocês já cansaram de saber como nos últimos meses tudo tem sido muito frenético para mim e imaginava – ou torcia – para que isso acontecesse quando optasse em mudar a rotina. O primeiro semestre foi, com certeza,  a caminhada enquanto o segundo de correria. Foi nesses últimos seis meses que mudei de emprego – onde fui super iludida e percebi que não é um lugar pra mim além de ser um ambiente tóxico -, consegui meu primeiro projeto – a reforma de um apartamento inteiro – que trouxe consultorias, um projeto para o próximo ano e outros que caminham para se concretizar, fiz dois cursos, decidi que quero sim abrir meu escritório e conquistar espaço na arquitetura brasileira, mudei de casa, me apaixonei e nos 45 do último tempo consegui um cliente fixo mensal que entra na minha vida como um segundo emprego e um alívio enquanto não acho alguma coisa melhor para a parte diurna. Ou seja, não parei.

Esse ano continuo não parando, com diversos planos, mas com confiança em mim e também no meu trabalho duro que me dediquei e comecei a ver os pequeeeninos frutos. É gratificante olhar para trás e ver a mudança de prioridade, mas acima de tudo, de meta e foco desde que tudo aconteceu. Foram seis meses que pareceram mais de ano e não me recordo de trabalhar tanto na minha vida, além da cabeça que estava sempre frenética. Eu olho para o futuro e pela primeira vez em muito tempo penso que as coisas podem ficar bem e tudo isso só depende de mim. Confiar em mim mesma para fazer o meu trabalho e lembrar que sim, sou capaz e sim, mereço o que vem ao meu encontro, foram os maiores aprendizados do ano passado.

Foram acontecimentos muito bons e falando assim parece que minha vida foi perfeita, mas não foi. Diversas vezes tive ataques de ansiedade com relação ao futuro do nosso país, ao meu emprego, a cansaço e a duvidar da minha capacidade. Sei que ano que vem não será fácil: muito, mas muito mais trabalho do que imaginei (sou muito grata por isso!), o medo de ir cada vez mais colocando a minha cara a tapa e falhar, tentar duvidar menos de mim e não me sabotar, o fato de me entregar amorosamente pra alguém e de dar errado (não que isso me impeça, estou muito feliz, mas sempre tem aquela pontinha de pânico quando nos entregamos), o nosso governo e o que isso trará para nós, principalmente para mim, por ser mulher e lésbica, entre outras coisas.

Respiro fundo, e apesar de tudo, torço pra que seja um ano bom. Vai ser mais um ano de colheita, onde vou ter que continuar treinando minha paciência e saber que os frutos mesmo só serão colhidos no futuro e abrir mão de muitas coisas para conquistar o que quero. Nesse momento estou sentada no computador, olhando pra esse mar de prédios em São Paulo enquanto aproveito a cidade quieta na madrugada e fico pensando como esse ano mal começou e já senti tanto para primeira semana que não consigo saber o que esperar.

Além de que desejo um ano bom, aliás, ótimo para mim, para você, para todos nós.

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