Neve

Quatro anos atrás eu estava me preparando pra em menos de dois meses ir pro meu primeiro intercâmbio pra morar em Massachusetts com mais cinco pessoas de diversos lugares do mundo e trabalhar como camareira por seis meses. Três anos atrás eu estava no meio do meu segundo intercâmbio estudando Arquitetura na Espanha. Dois anos atrás eu ainda estava tentando me adaptar novamente a nova vida na cidade em que morei grande parte da minha vida e a ser a mais nova arquiteta desse Brasil. Um ano atrás eu percebi que os planos que tinha feito e decidido depois de formada estavam se concretizando e eu ia me mudar, de novo, e começar uma nova etapa. Hoje, eu estou vivendo as coisas que escolhi, passando por problemas, passando pelos desafios que a vida coloca na minha frente, alguns com graça e outros sofrendo mesmo, mas faz parte. Eu estou vivendo o que eu escolhi pra mim e eu sou feliz (na maior parte do tempo).

É bizarro pensar como as coisas mudaram nesses últimos anos, mas principalmente como eu mudei. Eu que era tão apegada a tanta coisa acabei me desligando de tudo e vendo que podia viver com menos, que precisava de menos pessoas pra ser feliz, mas precisava muito mais de mim. Eu vi meus sonhos mudarem quase que por completo, vi certas coisas que eram prioridade não existirem mais na minha vida, vi muita gente sair e poucas pessoas entrarem. Fico pensando nesses quatro anos e em como tenho lembranças frescas da primeira vez que vi neve assim que coloquei os pés nos Estados Unidos, de entrar numa sala de aula onde ninguém falava português ou inglês, e de me despedir, inúmeras vezes, das pessoas que amo. Aprendi a conviver com o amor a distância de várias formas, aprendi muito com a dor e a administrar a saudade. Aprendi que a vida é feita de pequenos momentos felizes, com as pessoas certas e nos momentos certos. Aprendi errando muito, mas tentando não cometer os mesmos erros. Hoje, mesmo em noites solitárias como essa, sei que aprendi a lição mais importante: ser feliz sozinha.

Imagem: Amy Holt

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