Eu nunca fui uma pessoa que acorda cedo, mas cedo mesmo, sábado acordei oito horas da manhã. Também nunca fui uma pessoa que dormia muito cedo, mas sexta dormi antes das onze. Lembro que em janeiro desejei um ano de mudanças, talvez mais pesado, no sentido de trabalhar mais, mas que me fizesse chegar mais perto dos meus objetivos. Durante esses primeiros meses cansei de falar para minhas amigas que chamava esse ano de plantação porque iria colher o que fizesse nesse e provavelmente nos próximos daqui um bom tempo. Nós sempre temos que começar de algum lugar né?

Desde o final do ano passado e, principalmente, nesse decidi ter controle total da minha vida e arcar com todas as consequências. Tudo que podia estar pendente, de dívidas a metas que não saíam do papel pro meu futuro profissional foi colocado em uma lista e analisei cada uma delas para saber por onde começava. Hoje, me encontro vivendo uma vida completamente transparente,  e bem mais aliviada por não ter aqueles problemas que me assombram com “quando vou resolver isso?” na hora de dormir. Como a vida é tudo menos justa, me encontro com problemas novos. Quando você resolve se abrir pro que quer que for, decidir o que você quer fazer, se arriscar e colocar a cara a tapa, mesmo que só você saiba disso, o medo de se magoar ou de que tudo de errado é muito maior e constante. Eu ando cansada e insegura. Cansada porque tenho trabalhado muito, mas não chega a nem 1/5 do que eu sinto que precisava estar fazendo pra chegar onde quero chegar, mas também tento me lembrar sempre que eu não posso queimar toda a minha energia de uma só vez e que infelizmente, as coisas não acontecem no meu tempo, mas aos poucos, e que é sim melhor ir com calma pensando e planejando do que fazer tudo nas coxas. Ansiosa porque eu sinto que a qualquer momento tudo pode dar errado. A síndrome do impostor é algo que tem me feito perder sono e parar o que estou fazendo para chorar. Mais do que gostaria de admitir me questiono quem eu penso que sou para achar que meus planos vão dar certo, o que tenho de especial pra que as pessoas escolham o meu trabalho em vez do dos outros, ou em que momento achei que podia me destacar. Independente da minha experiência nas áreas que atuo ou dos estudos que tento fazer sozinha parece que nunca é suficiente.

Nós vivemos em uma sociedade em que um currículo com cinco programas, que se não forem aprendidos de forma autônoma, necessários para uma vaga custam cerca de dez mil reais, além de uma língua estrangeira, para receber de salário R$ 1.000 ou 1.500. A mesma sociedade em que te pede mais, mas continua te pagando pouco ou faz questão de esfregar na sua cara que se você não aceita um valor terá várias pessoas que vão aceitar porque elas precisam disso. Uma sociedade esgotada de qualquer tipo de profissional mesmo fiquemos repetindo para nós mesmos que os realmente bons vão se destacar de uma forma ou de outra, mas esses bons assim como os ruins, precisam comer e ter um teto pra viver e isso só vem com dinheiro.

Às vezes penso que o pior que fiz foi lidar com tudo que tinha deixado de lado por anos, mas sei também que quando vejo o meu passado incerto, e o meu presente que anda duro e realista demais, tenho fé de que o futuro vai ser mais tranquilo e responsável. É uma mistura de cansaço com ansiedade, medo e em dias muito ruins cheios de arrependimentos de resolver crescer de vez. Mas existem outros dias, é sempre o que repito pra mim nos dias ruins, e por mais que as duas últimas semanas tenham tirado todas as energias que me restavam só cabe a mim respirar fundo, descansar e recarregar um pouquinho pra seguir em frente porque as coisas não param e apesar de tudo, apesar de alguns momentos ruins, eu também sei que não quero parar.

Imagem: Conan Gray

Share: