Colômbia nunca foi o meu primeiro destino quando pensava em viajar para fora do país, mas também não era um local que não queria conhecer, só estava ali no meio, sabe? Eu mal sabia que iria me apaixonar por Cartagena a cada relato que lia sobre a cidade, sua comida e receptividade, mas principalmente olhava fotos lindas de lugares que pareciam ter saído de um sonho colorido. Quando cheguei no país, por maior que tivesse sido a minha pesquisa, não sabia o que esperar. Era a primeira viagem que faria somente com a minha mãe na vida para outro país e confesso que tinha medo que a temperatura a irritasse ou a minha vontade de bater perna o dia inteiro conhecendo a cidade e, principalmente, o centro histórico a deixasse entediada. A realidade é que minha mãe aguentou muito mais do que essa que vos escreve e se encantou tanto quanto com cada esquina, ruas, cores e a simpatia do povo colombiano, principalmente quando notavam que éramos turistas brasileiras.

Chegamos em um domingo bem tarde da noite no Hotel Artilleria, no outro dia tomamos café da manhã cedo e fomos direto para o centro histórico dar uma olhada no que nos aguardava pelos próximos dias. Sempre que chego em um local tento programar diariamente o que vou fazer com espaço para andar e me perder no que a cidade mostra para mim e, se possível, deixo um tempo livre para voltar em outros dias em locais que gostei muito ou não consegui ir. Odeio pular de cidade em cidade e sou completamente adepta do slow travel já conformada que independente do roteiro que vá fazer nunca dá para conhecer tudo.

Em séculos passados a cidade era constantemente atacada por piratas (sério!) que tentavam roubar as especiarias dos colombianos então eles construíram uma muralha para o acesso ficar bem mais difícil tendo uma forma de se defender e proteger os bens de suas terras, então todo o centro histórico. Grande parte das fotos que você vai ver na internet são da parte interna da muralha que é a parte preservada de Cartagena. Iniciamos nosso roteiro pela Torre Del Reloj que é a entrada para o centro histórico, passando por diversas ruas, casas de dois andares coloridas cheias de flores lindas e lojas com todo tipo de coisa para turistas e locais. Andando por lá naturalmente achamos os pontos turísticos mais importantes: a Catedral de Santa Catalina de Alejandría que convenientemente já ficava ao lado da Plaza Santo Domingo onde provei a melhor salada de frutas que já comi na vida. Imaginem laranjas azedinhas, morangos docinhos e tudo com um sabor tão natural que senti como se nunca tivesse comido fruta boa e fresca antes na minha vida. Logo ao lado visitamos o Palácio da Inquisión que é o mais próximo que chegamos de um museu na cidade. Ele é pequeno e um dos únicos desses passeios que cobra a visita, também o único que pede mais de alguns minutos, o tour no palácio leva um pouco mais do que uma hora, mas vale a pena pra conhecer um pouco da história da cidade (e ficar um tempo no ar condicionado porque é quente sempre acima dos 3o graus). Andando por lá, paramos em alguma esquininha e sentamos em um restaurante que achamos que era típico pra abrir o cardápio e descobrir que era espanhol (ooops!) então não cometam a mesma gafe que a gente e sempre procurem restaurantes perto das praças. A praça da Parroquia San Pedro Claver tem diversos restaurantes muito mais em conta, típicos e que convenientemente, abrem de noite e ficam tocando música ao vivo. Infelizmente, não conseguimos esperar até de noite pelo cansaço, mas ao menos visitamos dentro da paróquia que era bem linda (e grátis).


Palácio da Inquisión e Vista do Palácio para rua

No segundo dia, nós fomos mais turistas possíveis e decidimos entrar no Hop off Hop On Bus. Eu sei que parece uma escolha bem preguiçosa e sem graça, mas acreditem em mim quando digo que vale a pena. O ônibus leva em um tour pela cidade inteira e foi lá que percebi como ela é muito maior do que aparenta ser. Estávamos hospedadas no Getsemani que é um bairro novo e meio hipster próximo a parte histórica/turística da cidade, mas dando a volta completa percebi que essa parte é totalmente diferente do que a cidade é hoje em dia. Cartagena é como qualquer cidade grande do mundo: cheia de apartamentos, prédios espelhados, carros novos, ruas cheias de McDonald’s/Domino’s e completamente renovada, mas o centro histórico ainda é o ganha pão da cidade e por isso é preservado. Tomei um susto quando andando por lá vi quão moderna ela era e, por mais que soubesse que ela não iria ficar histórica para sempre, não sabia que era tão desenvolvida. Inicialmente, optamos em fazer uma volta inteira pela cidade no ônibus e depois parar onde queríamos para conhecer um pouco mais, inclusive perto de pontos históricos, porque além do valor ser bastante em conta, muito mais a pena do que pedir um uber/táxi, o ônibus vale durante dois dias inteiros levando e deixando em qualquer um dos pontos do mapa quantas vezes quiser. Depois da volta completa, decidimos ficar no centro histórico para almoçar e fomos na La Cevicheria que, meu deus, serviu o ceviche mais fresco que já comi na minha vida. Não é o local mais barato, e confesso que meio hipster, mas delicioso e fica em um lugar super gostosinho do centro menos movimentado. Nosso último passeio do dia foi visitar o Convento Santa Cruz de La Popa para ver a vista da cidade. O Convento é o local mais alto de Cartagena e é lá que você consegue ter uma noção de quão grande a cidade é e como claramente é dividida entre a parte histórica e a moderna. Além disso, o local é lindo e muito fresco que compensa o valor pago do ingresso + táxi. Uma dica sobre o Convento é que em muitas reviews da internet você vai ler que não vale a pena porque é “só” a vista, e ainda tem que pedir o táxi/uber que for te levar para esperar (eles já estão acostumados com isso) porque não tem carros ali em cima, mas foi um dos meus lugares preferidos da cidade e um dos mais bonitos também. Encerramos o dia, que estava quente demais, voltando para o hotel e indo direto para a piscina aproveitar um pouco do calor. Não deu tempo de jantar fora, de ir procurar algo nem nada porque parece rápido mas andar durante um dia todo em um calor desgraçado, não sei vocês, mas faz com que minha energia vá pra 0% em no final da tarde.

Pare interna do Convento Santa Cruz de La Popa e um gatinho que achamos por lá

Que vista, né?

Nosso último dia foi também o mais cansativo. Acordamos mais cedo que o normal porque queríamos subir até o topo do Castelo de San Felipe de Barajas antes de começar a esquentar muito e sendo sincera, estava com medo de passar mal ou pior, minha mãe passar mal (ela até fez live do facebook porque não sabia se ia aguentar kk). Felizmente, foi muito mais fácil do que imaginamos e vale muito a pena a visita mesmo sendo o ponto turístico mais caro de toda cidade. É lindo por dentro, tem vários caminhos escuros que te fazem acreditar que você poderia fazer seu próprio filme de terror, mas acima de tudo a vista compensa muito. Não é impossível, mas sim, dá uma cansada ainda mais com o calor, mas no topo tem uma lojinha com souvenirs (mais baratos do que no centro histórico e no aeroporto, fica a dica), sorvete, água, tudo que você precisa para refrescar e uma vista bem bonita do centro da cidade. Acho que foi um dos passeios mais padrão que fiz e gostei muito. Acaba levando a manhã toda, mas como reservamos exatamente esse período não tivemos muita pressa. Voltamos ao centro histórico para andar um pouco mais por lá e passar pelas Las Bovedas, que não são nada menos do que as muralhas que falei no início do post, e procurar a Casa Gabriel Garcia Márquez, que não é nada mais do que um muro agora que se tornou uma residência privada, porém não achamos ou sendo sincera, dei umas voltas, não achei e me dei por vencida. Parece que não, mas cansa, viu, e com essa busca frustrada decidimos voltar pro hotel para nos arruarmos e ver o pôr do sol no Café Del Mar. Se você procurar no google é o destino turístico na parte de comida/bar. O pôr do sol é lindo mesmo, de tirar o fôlego, mas sendo sincera? Passe. É tudo mais caro do que deveria ser, as coisas são boas, mas não merecem o preço, é lotado de turistas e parece que você está em outro lugar que não é Cartagena. Mas toda experiência é válida, né?

Apesar da impressão, foi uma experiência boa sentir uma brisa no rosto e ver um dos pôres do sol mais lindos que já vi na vida ao ponto de nenhuma foto que tirei fazer justiça. Cartagena e seus habitantes te abraçam e fazem se sentir super bem vinda, como os mineiros aqui, e acima de tudo é uma cidade que ainda preserva um pouco da sua história como poucas atualmente. A cidade, ou grande parte dela, vive a base do turismo então vão visitá-la e prometo que vocês não vão se arrepender. Take me back to my Cartagena ooh-na-na…

P.S.: alguns lugares que infelizmente não conseguimos ir por falta de tempo e/ou energia: Teatro Adolfo Mejía, El Santíssimo (restaurante super tradicional de lá), Café Havana e o Donde Fidel. Quem sabe na próxima.

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