Amor Proprio ou a Falta Dele

Nas últimas semanas eu passei por tempos muito difíceis. Além de todo o estresse do dia a dia, dos problemas de morar sozinha, do trabalho, do futuro que sempre dá um medo, cada um tem seus próprios fantasmas e aqueles medos que te desarmam e te deixam no chão com uma facilidade surreal. O que acontece comigo desde muito nova, e acho que não falei sobre isso nesse blog, é a minha auto estima inexistente. Quer dizer, ela já foi bem pior, e eu já fiz tudo que vocês pudessem imaginar pra ter o corpo de revista, pra ter um rosto bonito, pra ter um cabelo melhor, pra ter uma voz menos irritante, enfim.. são inúmeros defeitos que não ficam só no meu corpo, mas em mim por completo. Durante muitos anos eu resolvi melhorar simplesmente não pensando nisso e às vezes dava bastante certo, por meses eu me sentia okay, e por meses eu não tinha crises. Graças a n fatores e pessoas, a forma como eu me sentia comigo mesma melhorou demais, mas ela nunca realmente foi embora e continuei tendo algumas recaídas.

Notem que falei ali em cima que eu melhorei não pensando nisso, mas eu nunca realmente tentei melhorar me aceitando como eu sou. Honestamente, eu não sei se consigo, e eu não sei se um dia vou conseguir parar de me incomodar com todos os defeitos que eu vejo em mim mesma desde querer riscar minha cara inteira porque eu olho pra ela e acho ela feia, de raspar todo meu cabelo porque eu odeio ele tanto em dias que preferiria nem ter nascido, de não chorar quando estou no banho e olho para o meu corpo ou de me incomodar quando ficam me olhando nos olhos ou pra mim sem achar que as pessoas vão notar minhas falhas que antes não tinham notado. Tudo isso eu sempre soube, mas deixava lá atrás na cabeça com várias outras coisas que me incomodam… o problema é que eu cheguei em um ponto que parecia que meu ódio por mim mesma era pior do que nunca e eu fiquei muito mal, mas muito mal ao ponto que não lembrava a última vez que tinha me sentido assim. E a dor que eu senti foi absurda.

Felizmente, hoje em dia eu faço terapia e eu tenho um apoio pra cuidar de mim e de todos os problemas internos que eu sinto que tenho que resolver. Alguns, como esse, apareceram só agora depois de muito tempo, e eu precisei de muitas sessões e minutos pra tentar me explicar, me expor e falar como eu me sinto em relação a isso. Escrever isso aqui parece outra camada de pele e insegurança que eu tô me libertando. Hoje, essa semana, eu me sinto um pouco melhor, eu me aceito mais, e eu tenho como missão na terapia em aumentar a minha auto estima cada vez um pouquinho mais. Como a minha terapeuta diz, me amar como eu amo os outros, já que eu não vejo nenhum problema nos outros como vejo em mim, que nos outros tudo é bonito e eu aceito e celebro, mas quando é comigo, é diferente e é isso mesmo, ela tá super certa. Não sei se um dia vou realmente me amar ou me achar bonita, se um dia vou me sentir confiante pra falar “eu me aceito do jeito que eu sou”, mas eu espero que sim. Eu espero que um dia eu possa me amar e me admirar como faço com todas as outras.

A missão foi dada então vamos ver como vou me sair.

Força pra mim.

Imagem: Tina Sosna

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