Los Angeles, 2013
Los Angeles, 2013

Uma das minhas quotes preferidas é do filme Paris, Eu te amo e foi exatamente aquele tipo de quote que te preenche de uma forma que você pensa que poderia ter escrito aquilo, que poderia ter sentido aquilo, mas que não foi você.

Ultimamente eu venho sentido uma vontade absurda de viajar e principalmente, de me perder pelo mundo. Minha mãe sempre disse que ela me criou pro mundo e que ela nunca tentou me prender por isso, porque soube que eu nunca fui dela, que eu fui sempre minha e do mundo. Inicialmente eu só a achava liberal demais, mas conforme eu fui crescendo, eu entendi. Conforme eu fui vivendo, eu senti, eu compreendi, e as memórias estão aqui pra confirmar isso. Foi aquela queimadura na perna andando com uma roupa totalmente errada voltando pro apartamento em Nova Iorque com um dos meus melhores amigos. Foi aquele cheiro de mar e o pensamento de “Eu poderia me perder aqui” quando eu conheci o Rio de Janeiro pela primeira vez. Foi o sorriso e o sentimento de me sentir em casa quando fui pra Curitiba. Foram aqueles chupitos e risadas de toda quarta quando morei em Madrid. Foi andar na neve, ficar com o nariz vermelho, rir e morrer de frio em Boston. Foi me perder por Viena sozinha e não me preocupar porque eu sabia que eventualmente eu iria me achar e que eu estava segura. Foi olhar para as pessoas em Londres e pensar que eu precisava voltar naquele lugar pelo menos umas vinte vezes na vida. Foi olhar os luzes de Washington, DC e pensar que elas refletiam lindamente com as flores das árvores perto dos prédios do governo. Foi ver o sol, as pessoas, as luzes na estrada e tudo em um só lugar em Los Angeles. Foi andar pela praia em Florianópolis de mãos dadas, olhar o infinito do mar e me sentir completa. Foi ficar sem ar na Ilha de Páscoa. Foi andar devagar esperando meus pais e quando virei o rosto, me dei conta do pôr-do-sol mais lindo que já vi entre dois prédios magníficos em Buenos Aires. Foi conhecer São Paulo pela primeira vez e sentir que essa cidade me representava e me dava espaço para ser o que eu queria ser enquanto as pessoas andavam em contra fluxo e nem olhavam pra mim, mas as artes me abraçavam. Foi passear por Santiago no meio do caos, passar por perrengues e ainda assim sorrir porque era o Chile. Futuramente pode ser Paris, Cidade do México, Toronto, Belo Horizonte, Amsterdã, Reykjavik, Berlin ou pra onde a vida me mandar.

O sentimento de saudade de um lugar, diferente de uma pessoa, ele nunca vai embora. Ele pode ficar escondido entre todo o caos da sua vida, mas um cheiro, uma música, uma pessoa, uma comida, uma foto, um filme, alguém vai te fazer lembrar de lá e teu coração vai se aquecer, um sorriso vai abrir e você vai voltar por alguns segundos pra aquele paraíso que hoje em dia só existe na nossa mente, na nossa memória. E ele vai continuar lá até você voltar, e aí ele só vai aumentar, mas ele nunca vai embora porque quando uma cidade te abraça pode ter certeza que você vai ser dela e ela vai ser sua pelo tempo que você viver.

And then something happened, something that is hard to describe. Sitting there in a foreign country, far from my job and all the people I knew, a feeling came over me. As if I recalled something, something that I had never known and for which I had been waiting. But I didn’t know what it was. Maybe it was something I had forgotten. Or something I had missed my whole life. I can only tell you that at the same time I felt joy and sadness. But not a great sadness. Because I felt alive. Yes. Alive. That was the moment I fell in love with Paris and the moment that I felt that Paris had fallen in love with me. – Paris, I Love you

dilmadragrace

Não é surpresa nenhuma comentar que ontem e domingo foram bem difíceis pra qualquer pessoa que tem um pouco de noção na cabeça e não, não me venha com aquela história de que dá pra separar política de amizade porque eu estou no grupo de que se você apoia seres humanos nojentos como alguns que se pronunciaram no domingo, é realmente pra me excluir da sua vida. Os últimos meses já tem sido difíceis por precisar conviver com pessoas que você ama e/ou respeita, ou simplesmente é obrigado a passar seu dia junto e ouvir diversos comentários baixos, machistas e absurdos sobre a Dilma e apoiadores. Confesso que eu não sou a pessoa mais bem informada de política, aliás, longe disso e muitas das coisas que aprendi foram devido aos últimos tempos quando comecei a me informar um pouco melhor, infelizmente, como a maioria dos brasileiros. É bem difícil ver sua própria mãe falando mal de outra mulher com comentários baixos ou lendo mensagens do tipo “nós que somos a favor do impeachment”. Aliás, ela estava falando de mim e dela mas sem condições de se discutir via whatsapp sobre isso então eu prefiro simplesmente ignorar assuntos desse tipo, assim como eu ignoro no meu ambiente de trabalho mesmo sabendo que talvez não seja a forma mais correta de agir.

Só que ontem não deu. Depois que a votação chegou em um número esperado pra dar abertura ao processo uma menina que eu me envolvi dois anos atrás simplesmente twittou “chora mais”. Eu não sei qual era a emoção de vocês no momento, mas eu estava triste, desolada, assustada e acima de tudo: com raiva. Ver uma pessoa que eu depositei meu tempo, até cheguei a postar textos aqui, apoiar esse tipo de ação foi demais pra mim. Eu só consegui comentar um “me poupe”, dar um unfollow e excluir da minha vida de vez. Eu gostaria de estar surpresa com esse tipo de atitude dela, mas foi a mesma pessoa que quando terminamos resolveu falar “duas coisinhas” pra mim: a primeira é que as minhas sobrancelhas grossas não eram tão bonitas quanto eu achava que eram (?!) e a segunda que dar que nem uma vagabunda na cama não vai fazer ninguém gostar mais de mim. São duas coisas que eu nunca esqueci. São duas coisas que me machucaram muito mas hoje em dia eu só sinto pena dela, dos pensamentos que ela tem, e da forma que ela vê a vida ou do que acha correto. Ao mesmo tempo eu me sinto mais aliviada de saber que pelo menos mais uma pessoa que vai contra tudo que eu acredito e respeito foi excluída da minha vida. Infelizmente, não podemos fazer isso com todo mundo e, com muita dor, amamos algumas dessas pessoas que tem opiniões bem diferentes da gente, mas é libertador e um tanto quanto triste, poder excluir quem te faz mal ou quem não te respeita. De um em um a gente vai fazendo o mundo ao nosso redor um pouco melhor, ou pelo menos nos protegendo com pessoas que realmente valem a pena.

piratesofpoliticagem01

ste

Tava pensando em você hoje como penso todos os dias, em várias coisas que eu poderia ter te dito mas ainda não consegui dizer. Sabe, eu nunca fui de ter uma melhor amiga. Já tive uma ou duas pessoas bem próximas disso, mas parece que quando a pessoa certa chega as coisas simplesmente se encaixam. Quando eu te conheci foi bem assim: no meio de uma cidade grande com um monte de gente perdida e eu encontrei alguém que gostava das mesmas coisas que eu, em todas as áreas, até na profissional. Nós já dividimos conversas sobre comidas, arquitetura, choros, porres, sonhos, planejamentos e aos poucos as aventuras vão se realizando até umas que eu nunca imaginei porque você topa tudo, e com você, eu me sinto segura pra topar qualquer coisa. Dizem que até nossos signos combinam, que eu sou a balança da tua intensidade, mas eu acho que posso ser mais intensa que você e sinto que você é meu freio, você também é aquela que não me julga e por isso eu sei que entre todas as pessoas, és a primeira que eu me sinto confortável pra contar as coisas ou que sabe do que mais ninguém sabe, és a primeira que eu procuro quando tudo está ruim e quando tudo está bem também é quem eu mais quero próxima pra comemorar comigo.

A gente demorou pra se entender, a gente demorou pra chegar no que temos hoje, mas por um lado eu acho que nós construímos algo muito mais forte. Demoramos até pra falar “eu te amo” e agora parece tão simples e óbvio. Quem eu iria amar além de você? Quantas pessoas seriam amigas tão boas como você? Eu realmente não sei. Tem tanta coisa que eu quero fazer ao seu lado, lugares pra conhecer desse mundo inteiro, restaurantes pra comer, umas exposições pra visitar e muita, muita risada pra dar. Obrigada pelos abraços, pelos momentos felizes que você me deu sem nem ao menos saber, obrigada por me permitir ver algo em você que ninguém mais ver, mas acima de tudo, obrigada por me escolher pra ser essa pessoa na sua vida da mesma forma que você é na minha. Obrigada ao mundo por ter te apresentado pra mim cedo o suficiente pra que a gente pudesse ter a vida inteira de momentos juntas. Obrigada por você.

Eu te amo.
E eu amo ainda mais tudo que nós ainda temos pra viver.
Feliz aniversário (atrasado).

stephanny

Imagem: Ashlie Chavez

hehehe

Desde o início do ano eu estava querendo fazer umas mudanças na vida e de hábito e uma delas era voltar com o blog. Conforme eu tirei um tempo daqui, eu também tirei um tempo de escrever e isso fez muita falta pra mim mesmo que ocasionalmente eu escrevesse no moleskine. A realidade é que eu preciso de algo pra me inspirar, pra me fazer não esquecer e me incentivar a praticar pra não perder o costume. E acima de tudo, eu senti muita falta. Eu senti falta de compartilhar um pouco da minha vida, dos meus sentimentos, do meu dia a dia, de São Paulo, das viagens, das comidas, das séries, enfim… de tudo com as pessoas que tiram um tempo para ler essa pequena página na internet. Aliás, espero que ainda tenha sobrado uma alma viva que não tenha me abandonado.

Mas a realidade é que eu escrevo pra mim, pra deixar registrado um pouco da minha vida e olhar pra trás e lembrar de momentos que se não estivessem tão fáceis de achar aqui, eu não fosse relembrar tão facilmente, e assim como eu escrevo como um diário, naquela época, eu não conseguia escrever. Aliás, naquela época a vida estava uma bagunça, minha cabeça estava uma bagunça e estava tudo confuso, e eu tive altos e baixos depois. O importante é que as coisas melhoraram bastante e continuam melhorando, e eu estou em um momento da minha vida que eu sinto que eu tenho e quero compartilhar tudo com vocês. Eu não faço promessas de com que frequência isso vai ser, mas eu posso prometer que quando acontecer vai ser de coração. E é isso que importa, né?

Imagem: Catherine MacBride

É horrível escrever isso, mas acho que já era esperado: vou parar com o blog. Óbvio que o blog estava as moscas nos últimos dois anos desde que me mudei pra São Paulo, mas me iludi achando que ia conseguir atualizar como atualizava antigamente, que ia conseguir compartilhar tudo, e achava que meu problema era a pós e um trabalho que consumia demais, mas não era isso. A realidade é que a vida fica cada vez mais corrida, com mais responsabilidades e a rotina muda, assim como as minhas prioridades mudaram e muitas coisas que eu fazia antes com mais frequência como ver série, filmes, estar online e postar, entre outras, já não posso fazer tanto assim.

Muitas e muitas vezes chego em casa cansada, como hoje, e por mais que eu queira não existe energia pra escrever aqui e em parte eu me cobrava e pensava “nossa, não escrevo tem duas semanas.. que horror” e isso me deixava pior. Hoje, nos dias que posso, fico em casa e tento relaxar pra encontrar força e cumprir minhas metas. O blog era uma delas, mas a gente cresce e outras prioridades maiores entram na frente. Espero que logo as coisas se ajeitem, diminua o ritmo ou eu só consiga me encontrar, mas até lá prefiro fazer uma despedida do que largar esse lugar que amo tanto sem mais nem menos. Não vou sumir do blog de quem amo tanto e leio, mas talvez vocês tenham que saber de mim por outro lugar…

Eu não vou dizer adeus, mas um até logo porque eu volto. Juro que volto.
Se não for por mim, vai ser por vocês.

Sentirei saudades, mas prometo que não é pra sempre. <3

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